Cresce o uso das IAs voltadas para cristãos
- Terca-Feira, 05 Maio 2026
- 0 Comentário(s)

Uma ferramenta de inteligência artificial lançada pela Junta de Missões Internacionais da Convenção Batista do Sul dos EUA foi utilizada por mais de 600 mil pessoas no último ano.O FaithBot foi lançado em abril de 2025, inicialmente para ajudar a gerenciar o grande volume de mensagens vindas de todo o mundo, em diversas línguas.Don Barger, diretor de Inovação e Inteligência Artificial da Equipe de Liderança de Engajamento Global da Convenção Batista, afirmou que o FaithBot está disponível em 25 idiomas e que seu uso segue em crescimento.Barger classificou o número como “impressionante”, mas destacou que “o mais importante é o que está por trás disso”.“Pastores com acesso limitado a livros teológicos estão usando o FaithBot como um assistente de pesquisa para preparar seus sermões, mas de forma ética”, explicou Barger.“A plataforma oferece fontes, analisa questões interpretativas, sugere planos de trabalho e facilita para que usuários realizem a parte humana da pregação.”“Sabemos de líderes de estudo bíblico que estão usando nossa IA para aprofundar sua compreensão das Escrituras. Novos convertidos sem uma igreja local próxima o utilizam para continuar aprendendo. Pessoas em busca de respostas, que talvez tenham perguntas guardadas durante anos e nunca tiveram segurança para fazê-las em voz alta, agora estão recorrendo ao FaithBot para ajudá-las a encontrar respostas.”O FaithBot não é a única ferramenta de conversação baseada em LLM (Large Language Model, ou Grande Modelo de Linguagem), tecnologia capaz de reunir e processar um volume gigantesco de informações com alta velocidade, como ocorre com plataformas como o ChatGPT e o Gemini. Entre as alternativas voltadas ao público cristão estão ChristianAI, FaithGPT e FaithGuide.Cada uma apresenta um tipo específico de interação. No FaithGPT, por exemplo, é possível seguir um plano de memorização de versículos: o usuário pode lê-los, ouvi-los em áudio e repeti-los para o sistema, que verifica a precisão. Por enquanto, a ferramenta está disponível apenas em inglês, mas deve ganhar versões em outros idiomas até o final do ano. O FaithBot é o único que, atualmente, oferece a opção de criar imagens com temática bíblica.“Algoritmos não cuidam de almas”Com a popularização das IAs nos últimos anos, muitas igrejas e ministérios passaram a utilizar essas ferramentas em suas atividades. Alguns desenvolveram seus próprios chatbots para responder perguntas sobre a fé cristã e a Bíblia.Segundo o relatório “The State of AI in the Church Survey” (Pesquisa sobre o Estado da IA na Igreja, 2025), 61% dos pastores entrevistados afirmaram utilizar algum tipo de IA semanal ou diariamente. Ainda assim, muitos demonstram preocupação com a crescente aceitação dessas tecnologias sem critérios.A percepção, no entanto, vem mudando rapidamente. Um estudo publicado pela Barna Group em parceria com a Gloo, em 2023, indicou que 51% dos entrevistados acreditavam que a IA impactava negativamente as igrejas, enquanto apenas 22% viam benefícios.Entre as principais preocupações está a precisão das informações, especialmente ao tratar de temas bíblicos com pessoas que não têm familiaridade com as Escrituras.Um levantamento do Lifeway Research, de abril de 2026, aponta que cerca de 44% dos cristãos praticantes não veem problema no uso de IA por pastores na preparação de sermões, enquanto 43% se opõem, sendo que 24% “discordam totalmente”. Outros 13% afirmaram não ter opinião formada.O YouVersion, maior aplicativo de Bíblia do mundo, optou por não seguir esse caminho. No mês passado, seu fundador e CEO, Bobby Gruenewald, afirmou que não pretende lançar um chatbot, citando preocupações com possíveis imprecisões.“O melhor modelo, com o melhor desempenho, com as versões mais populares da Bíblia que estão mais indexadas, cita erroneamente as Escrituras pelo menos 15% das vezes”, disse Gruenewald em entrevista. “Alguns chegam a 60% das vezes.”Por outro lado, Barger disse que uma das razões pelas quais o FaithBot foi criado foi justamente para oferecer às pessoas uma alternativa mais confiável para fazer perguntas sobre religião. A diferença seria o banco de dados utilizado pela sua IA.“As pessoas já estão usando IAs para responderem às suas perguntas sobre temas espirituais. Prefiro que tenham acesso a algo fundamentado nas Escrituras do que a algo treinado com tudo o que a internet diz sobre Deus”, explicou Barger.Porém, ele faz uma ressalva: “Certamente há coisas nas quais a IA não deveria se envolver, como aconselhamento, cura de traumas, pregação, oração e outras coisas que são exclusivamente humanas”.Segundo ele, o FaithBot é projetado para direcionar conversas genuínas sobre o Evangelho com seus usuários.“É projetado para ajudar na pesquisa, não para pregar. Quando as conversas caminham para solução de crises, a ferramenta as encaminha para apoio humano. Algoritmos não cuidam da alma. Almas cuidam de almas.” Jarbas Aragão é pastor, jornalista e tradutor. Mestre em teologia, foi missionário da Jocum e da Junta de Missões Mundiais da CBB, além de professor do seminário Batista. Colabora com diferentes mídias no Brasil, nos Estados Unidos e em Israel.* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.Leia o artigo anterior: Descoberta arqueológica traz relatos sobre rei da Babilônia com paralelos a livros da Bíblia











