Do ser ao chamar: Identificar potencial ao redor

  • Segunda-Feira, 20 Abril 2026
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Do ser ao chamar: Identificar potencial ao redor

Nas últimas semanas, mergulhamos profundamente no tema "O Despertar do Discípulo em Mim", explorando a Grande Comissão de Mateus 28:18-20 sob a perspectiva de nossa transformação pessoal. Revisitamos os frutos do primeiro trimestre – o despertar em janeiro, a disciplina em fevereiro e o romper em março – e entendemos que essa base sólida é o alicerce para o que Deus quer fazer através de nós.Com uma exegese conceitual, desativamos a ideia de que a Grande Comissão é apenas para alguns "especialistas", e ativamos a consciência de que a autoridade de Jesus e a capacitação do Espírito Santo nos habilitam a todos para sermos discípulos que fazem discípulos. Agora, é tempo de expandir essa visão. Se nos dois primeiros episódios o foco foi o "ser" – o discípulo que você é e está se tornando –, neste terceiro episódio, o Espírito nos impulsiona para o "chamar"."A Grande Comissão não é uma opção a ser considerada; é uma ordem a ser obedecida." – Hudson TaylorA citação de Hudson Taylor nos lembra da urgência e da natureza imperativa do chamado de Jesus. Não é uma sugestão, mas uma ordem que brota do amor e da autoridade de Cristo. E essa ordem começa com a capacidade de ver o potencial nos outros, de estender a mão e convidar. Vamos juntos descobrir como ativar esse olhar do discipulador. 1. Do Ser ao Chamar: A Visão de Jesus para o Potencial AlheioA Grande Comissão nos ordena: "Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações..." (Mateus 28:19). A palavra "vão" implica movimento, uma postura ativa de ir ao encontro. Mas antes de ir, precisamos aprender a "ver" – a identificar o potencial que Deus colocou em cada pessoa ao nosso redor. Jesus, o maior discipulador, nos ensinou isso com Sua própria vida. Ele não chamou os qualificados; Ele qualificou os chamados.1.1. Jesus Chamando Pescadores: Vendo Além da Profissão (Mateus 4:19)Quando Jesus caminhava pela Galileia, Ele não procurou os doutores da lei, os ricos ou os influentes. Ele viu Simão e André, Tiago e João, homens simples, pescadores. Para a sociedade da época, eles eram apenas trabalhadores braçais, sem grande status ou educação formal. Mas Jesus olhou para eles e disse: "Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens." (Mateus 4:19). Ele viu neles não o que eram, mas o que poderiam se tornar. Ele viu potencial, sede de algo maior, e uma disposição para seguir. Ele não esperou que estivessem prontos; Ele os chamou para o processo de se tornarem prontos.1.2. Filipe e o Eunuco Etíope: O Encontro Guiado pelo Espírito (Atos 8:26-40)O livro de Atos é repleto de exemplos de discípulos comuns que, cheios do Espírito Santo, aprenderam a "ver" e "chamar". Filipe, um dos sete diáconos, estava em Samaria quando o Espírito o direcionou para uma estrada deserta. Lá, ele encontrou um eunuco etíope, um alto oficial, lendo o profeta Isaías. Filipe não hesitou. Ele "correu" e perguntou: "O senhor entende o que está lendo?". O eunuco, com humildade, convidou Filipe a subir em sua carruagem. Filipe viu a sede espiritual, a abertura do coração, e aproveitou a oportunidade para explicar as Escrituras, levando o eunuco à fé e ao batismo. Foi um encontro "casual" que mudou uma vida e levou o evangelho para a Etiópia, tudo porque Filipe teve olhos para ver e coragem para chamar.1.3. Ananias e Saulo: Vendo Potencial no Inimigo (Atos 9:10-19)Talvez o exemplo mais desafiador de "ver potencial" seja o de Ananias. Ele era um discípulo comum em Damasco, e Deus o chamou para ir ao encontro de Saulo, o homem que estava perseguindo e matando cristãos. A reação de Ananias é compreensível: "Senhor, ouvi de muitos a respeito desse homem, e de todo o mal que tem feito aos teus santos em Jerusalém." (Atos 9:13). Mas Deus tinha uma visão diferente: "Vá! Este homem é meu instrumento escolhido para levar o meu nome aos gentios e aos seus reis, e também ao povo de Israel." (Atos 9:15). Ananias obedeceu, e ao impor as mãos sobre Saulo, ele o chamou para um novo propósito. Ele viu o potencial de um apóstolo onde outros viam apenas um inimigo. Esse é o poder do Espírito Santo nos capacitando a ver além das aparências.Esses exemplos bíblicos nos mostram que "chamar" não é uma habilidade inata de poucos, mas uma capacidade que o Espírito Santo nos concede quando estamos dispostos a obedecer. É um olhar que transcende o óbvio, que busca a sede espiritual, a abertura do coração e o potencial que Deus já plantou em cada pessoa. 2. Ativando o Olhar do Discipulador: Como Identificar Potencial ao Seu RedorA transição do "ser discípulo" para o "chamar" outros começa com uma mudança de perspectiva. Se nos dois primeiros episódios você se concentrou em sua própria jornada de transformação, agora é hora de levantar os olhos e olhar para o seu entorno com os olhos de Jesus. Como podemos, na prática, ativar esse olhar do discipulador?2.1. Desativando Barreiras Internas: Preconceito e InsegurançaMuitas vezes, somos nós mesmos que nos impedimos de "chamar". Desativamos o preconceito que nos faz julgar quem "merece" ou "não merece" ser discipulado. Desativamos a insegurança que nos diz que não somos bons o suficiente, que não temos conhecimento bíblico suficiente, ou que não somos "líderes". Lembre-se: Jesus chamou pescadores, e Ananias era um discípulo comum. A capacitação vem dEle, não de nós.2.2. Ativando a Sensibilidade ao Espírito e a Observação AtentaComece a orar pedindo a Deus para abrir seus olhos espirituais. Peça a Ele para te mostrar quem Ele quer que você alcance. Ative sua sensibilidade ao Espírito Santo, que pode te impulsionar a falar com alguém, assim como fez com Filipe. Ative a observação atenta: quem em seu círculo de convivência parece estar buscando algo mais? Quem expressa frustração, sede, ou curiosidade sobre questões de fé? Quem está passando por um momento de transição ou dificuldade que o torna mais aberto a uma conversa significativa?2.3. O Passo Prático: Identifique UMA Pessoa e Faça UM Convite SimplesNão precisamos começar com um "projeto" grandioso. O discipulado é relacional e orgânico. O primeiro passo é identificar uma pessoa em seu círculo de convivência – pode ser um familiar, um amigo, um colega de trabalho, um vizinho. Alguém com quem você já tem algum nível de relacionamento ou que o Espírito Santo tem colocado em seu coração.Depois de identificar essa pessoa, o próximo passo é fazer um convite simples e genuíno. Não precisa ser um convite para um estudo bíblico formal. Pode ser:"Que tal tomarmos um café/chá esta semana? Queria te contar algo que Deus tem feito na minha vida.""Estou lendo um livro/artigo muito interessante sobre como lidar com a ansiedade (ou outro tema relevante). Pensei em você. Quer que eu te mande? Podemos conversar sobre isso.""Tenho pensado muito sobre a importância de 'romper' com o que nos prende. Lembrei de uma experiência minha no primeiro trimestre que me ajudou muito. Se quiser, posso te contar."O objetivo não é pregar, mas compartilhar vida e testemunho. É abrir uma porta para uma conversa mais profunda, onde você pode semear uma semente do que Deus tem feito em você. Lembre-se do que você aprendeu no primeiro trimestre: sua jornada de despertar, disciplina e rompimento é um testemunho poderoso. 3. Neurociência do Convite e da Conexão: O Poder de Ver e ChamarA neurociência nos ajuda a entender o impacto profundo do ato de "ver" e "chamar" no cérebro humano, tanto para quem convida quanto para quem é convidado. O discipulado não é apenas um processo espiritual; ele ressoa com a forma como fomos criados para nos conectar e crescer.3.1. A Dopamina do Convite e do ReconhecimentoQuando você estende um convite genuíno a alguém, você está ativando o sistema de recompensa (dopamina) no cérebro dessa pessoa. Ser visto, ser lembrado, ser convidado para algo significativo gera uma sensação de valor e pertencimento. Isso cria uma abertura, uma predisposição positiva para a interação. Para você, o ato de obedecer ao impulso de "chamar" e de ver o potencial em alguém também libera dopamina, reforçando esse comportamento altruísta e intencional.3.2. Neurônios-Espelho e o Poder do TestemunhoQuando você compartilha uma lição pessoal do seu primeiro trimestre – como você "rompeu" com um padrão, ou como a disciplina do jejum o ajudou –, você está ativando os neurônios-espelho na pessoa que ouve. Esses neurônios nos permitem "sentir" e "entender" as experiências dos outros, como se as estivéssemos vivendo. Isso cria empatia e uma sensação de que "se ele/ela conseguiu, talvez eu também consiga". Seu testemunho se torna um espelho onde o outro pode vislumbrar a possibilidade de sua própria transformação.3.3. A Vulnerabilidade que ConectaCompartilhar sua jornada com vulnerabilidade – não como alguém perfeito, mas como alguém em processo – é neurobiologicamente poderoso. A vulnerabilidade desarma defesas, constrói confiança e fortalece os laços sociais. Isso é crucial para o discipulado, que se baseia em relacionamentos autênticos.Ao se abrir, você convida o outro a se abrir também, criando um espaço seguro para o crescimento espiritual.Portanto, o ato de "ver" e "chamar" não é apenas um comando; é um processo que ressoa com nossa natureza humana e com a forma como Deus nos projetou para nos relacionarmos e crescermos juntos. Você tem o poder de ativar essa conexão. 4. Para Pensar, Digerir e AgirPara que este episódio seja um catalisador para a ação, convido você a refletir profundamente sobre as seguintes perguntas. Pegue um caderno, um diário, ou simplesmente reserve um tempo para meditar sobre elas:1. Releia os exemplos bíblicos de Jesus chamando pescadores, Filipe e o eunuco, e Ananias e Saulo. Qual desses exemplos mais te desafia a "ver" o potencial em alguém que você talvez nunca tenha considerado?2. Pense em seu círculo de convivência (família, amigos, trabalho, vizinhos, igreja). Quem é a uma pessoa que o Espírito Santo está colocando em seu coração para você "chamar" esta semana? Escreva o nome dela.3. Qual lição ou "fruto" do seu primeiro trimestre (despertar, disciplina, romper) você se sente mais à vontade para compartilhar com essa pessoa? Como essa lição a ajudou?4. Qual será o seu convite simples e genuíno para essa pessoa? (Ex: café, caminhada, almoço, mensagem com um artigo/reflexão). Escreva a frase que você usará.5. Qual é o maior medo ou barreira que surge em você ao pensar em fazer esse convite? Como a promessa da presença e autoridade de Jesus (Mt 28:20) pode te dar coragem para superar esse medo e dar o primeiro passo? 5. Vamos Orar, Juntos?Senhor Jesus, agradecemos porque Tu nos chama para sermos Teus discípulos e para fazermos discípulos. Perdoa-nos por nossa cegueira espiritual e por vezes não vermos o potencial que Tu colocas em cada pessoa ao nosso redor. Abre nossos olhos, Senhor, para que possamos ver com a Tua visão. Dá-nos coragem para desativar o medo e a insegurança, e para ativar a sensibilidade ao Teu Espírito e a intencionalidade em nossos relacionamentos. Capacita-nos a fazer convites simples e genuínos, compartilhando a vida que Tu nos deste. Que a nossa vida seja um canal para que outros também possam experimentar o Teu amor e a Tua transformação. Em Teu nome oramos, amém. 6. Compartilhe Sua Jornada!Sua experiência é valiosa! Compartilhe suas reflexões, quem você pretende "chamar" e qual será seu primeiro passo. Use a hashtag #GrandeComissaoParaTodos e inspire outros Juntos, somos mais fortes e podemos multiplicar o impacto do Reino!Lembre-se que os princípios de ativação e discipulado são universais. Próximo Episódio:EPISÓDIO 4/4: Equipar e Enviar – Multiplicar Frutos EternosNo nosso último episódio desta série, vamos mergulhar em como, após "chamar", podemos "equipar" e "enviar" aqueles que Deus nos confiou, garantindo que a multiplicação do Reino seja sustentável e gere frutos eternos. Prepare-se para o passo final da Grande Comissão! Rosana Sá (@rosanasa_oficial) é mentora executiva, professora universitária, CEO da Cyclos Consultoria e autora do livro Ativando Mulheres: Do Secreto ao Legado Através do Discipulado. Especialista em comportamento, neurociência e liderança, atua como palestrante e conferencista. Na IMW, serve ao Senhor como Diretora Geral de Ministérios, conduzindo líderes e equipes com propósito.* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.Leia no artigo anterior: O despertar do discípulo em mim – Parte 2

FONTE: http://guiame.com.br/colunistas/rosana-sa/do-ser-ao-chamar-identificar-potencial-ao-redor.html
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