O clamor pela liberdade no Irã
- Quarta-Feira, 04 Fevereiro 2026
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Desde a guerra entre Irã e Israel, em junho do ano passado, houve um frágil cessar-fogo que soa mais como um intervalo entre rounds de uma luta livre. Ambos os países continuam se preparando para o que pode vir a ser um conflito decisivo. No Irã, a pressão não é apenas externa, mas também interna, o que pode levar a um colapso do regime no curto ou médio prazo.Desde o conflito passado, o Irã tem tido apoio da China e da Rússia para se rearmar, especialmente com mísseis balísticos para serem usados contra Israel em um próximo ataque, o que cumpriria a promessa do regime dos aiatolás de “varrer Israel do mapa”. O efeito da guerra, por outro lado, fez com que a inflação da economia disparasse, tornando-se um fardo insuportável para o povo iraniano.Este é um povo duramente castigado que vem sendo oprimido há quase meio século, desde a Revolução Islâmica de 1979, quando os aiatolás derrubaram o regime do xá. O resultado dessa insatisfação acumulada foi a manifestação direta do povo, em diversas cidades do país, desde o fim de dezembro, o que envolveu dezenas de milhares de manifestantes contrários ao regime que foram lutar por sua liberdade em todos os níveis.Autêntico genocídioA resposta do regime foi uma das mais repressivas da história contemporânea. Nos dias 8 e 9 de janeiro, o aiatolá Khamenei determinou à sua milícia paramilitar — Basij — a se contrapor atirando para matar seu próprio povo “sem compaixão”. O massacre foi enorme e as inteligências de Israel e dos EUA ainda estão trabalhando nas estimativas que estão na ordem de dezenas de milhares de assassinatos a sangue frio; cidadãos mortos cruelmente apenas por estarem protestando nas ruas contra o regime que os oprime.As fontes do próprio governo admitiram que houve cerca de cinco mil mortos, aos quais chamou de terroristas, mas é óbvio que o número é muito superior. Parece que nem o massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989, em Pequim, passou perto disso; um autêntico genocídio.O regime derrubou a internet do país, mas não antes de diversos vídeos serem transmitidos por cidadãos comuns nas redes sociais, comprovando seus crimes contra a humanidade. Algumas imagens chocantes mostram centenas de sacos pretos nos estacionamentos de diversos hospitais do país, aguardando serem recolhidos por parentes para serem sepultados.Laços de amizadeA despeito do grande inimigo de Israel hoje ser o regime do Irã, cuja “cabeça da serpente” é o próprio aiatolá, segundo os próprios iranianos, há uma enorme estima e simpatia dos iranianos pelo povo judeu. Poucos sabem, mas Irã e Israel são povos que historicamente têm grandes laços de amizade entre si, apenas interrompida após a revolução dos aiatolás.A revolução, porém, não tirou o afeto e a simpatia do povo persa por Israel. E a prova disso são as milhares de mensagens de apoio de contas de rede social de iranianos a Israel, inclusive durante a guerra do ano passado. Arrisco a afirmar que Netanyahu tem mais apoio entre o povo iraniano do que dentro de Israel. Basta ver a conta em persa do Instagram do Ministério das Relações Exteriores de Israel, com mais de dois milhões de seguidores de fala farsi e simpatizantes ao povo judeu.Um rei gentio e amigo de IsraelEssa mostra de amizade e simpatia é recíproca por parte dos israelenses que têm o povo persa em alta consideração. O motivo é a eterna gratidão que nutrem por Ciro, rei da Pérsia antiga, que decretou o regresso dos judeus da diáspora para retornarem a Jerusalém e reconstruírem o Templo. Flávio Josefo afirma em sua obra Antiguidades Judaicas que Ciro, ao tomar conhecimento da profecia de Isaías a seu respeito, chamando-o pelo nome, escrita quase duzentos anos antes, ficou maravilhado e decidiu decretar o retorno dos judeus do exílio.“Que digo de Ciro: É meu pastor, e cumprirá tudo o que me apraz, dizendo também a Jerusalém: Tu serás edificada; e ao templo: Tu serás fundado” (Isaías 44:28).“Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor Deus dos céus me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá. Quem há entre vós, de todo o seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém, que está em Judá, e edifique a casa do Senhor Deus de Israel (ele é o Deus) que está em Jerusalém” (Esdras 1:2,3).Futuro promissorA ligação histórica entre Israel e a Pérsia não se limita ao decreto de Ciro, mas ao reinado de Ester, uma judia que fez história no império persa, durante o qual seu povo foi livre do extermínio e prosperou em todas as províncias.O monumento do túmulo da rainha Ester e seu primo Mordechai, duas figuras bíblicas proeminentes na história de Israel, está localizado na cidade de Hamadã, no Irã, é um dos poucos locais sagrados para os judeus fora de Israel e um dos maiores símbolos da amizade histórica entre judeus e persas.Por esses laços históricos de união e afeto, os iranianos, em sua luta pela liberdade, têm apoio total e irrestrito dos judeus do mundo inteiro. O desejo de um povo livre da ditadura atual do Irã é compartilhado por todos os espectros sociais, políticos e religiosos dentro de Israel. Um Irã livre é um prenúncio de um futuro promissor para as duas nações e representa o reatar de uma amizade milenar. Esperamos que esse tempo chegue logo, b’ezrat HaShem. Getúlio Cidade é escritor, tradutor e hebraísta, autor de A Oliveira Natural: As Raízes Judaicas do Cristianismo e do blog www.aoliveiranatural.com.br.* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.Leia o artigo anterior: A casa edificada sobre a rocha e o método rabínico das parábolas











